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Marinha dos EUA prepara o retorno do USS Zumwalt (DDG-1000) sem o míssil hipersônico CPS

Quatro militares em navio de guerra inspecionam torpedo armazenado no convés próximo a planta aberta.
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Retorno do USS Zumwalt (DDG-1000) e a ausência do míssil hipersônico

A Marinha dos Estados Unidos se organiza para colocar o USS Zumwalt (DDG-1000) de volta em serviço operacional em setembro, após uma grande modernização que transformou o destróier no primeiro combatente de superfície da frota projetado para empregar armas hipersônicas. Ainda assim, apesar de o novo sistema de lançamento já estar concluído, o navio retomará as operações sem o míssil para o qual foi reconstruído, porque o desenvolvimento da arma conhecida pela Marinha como Ataque Convencional de Resposta Imediata (CPS) segue atrasado. O cenário expõe um dos principais desafios para colocar em campo capacidades de ataque de nova geração: a plataforma quase está pronta, mas o armamento ainda está a anos de alcançar emprego operacional.

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Mudança no armamento: dos canhões AGS aos módulos de carga para IRCPS

O núcleo da modernização é a reformulação completa da seção de armas na proa do destróier. Os dois Sistemas de Canhão Avançado (AGS) de 155 mm, inicialmente pensados para fornecer apoio de fogo naval a longa distância, foram retirados e deram lugar a quatro Módulos Avançados de Carga Útil, configurados para acomodar o sistema de lançamento do Ataque Convencional de Resposta Imediata de Alcance Intermediário (IRCPS). Quando o míssil entrar em serviço, cada lançador levará três munições, o que dará a cada destróier da classe Zumwalt a capacidade de transportar doze mísseis hipersônicos.

Essa conversão muda de forma profunda o papel do navio. Idealizado originalmente em torno de apoio de fogo com artilharia naval, o Zumwalt está sendo redirecionado para atuar como uma plataforma de ataque convencional de longo alcance, capaz de engajar alvos de alto valor a grandes distâncias com armas hipersônicas.

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Atrasos do CPS/IRCPS apontados pelo GAO

Mesmo com as alterações físicas perto do fim, o programa do míssil continua enfrentando obstáculos relevantes. De acordo com um relatório do Government Accountability Office (GAO) publicado em 17 de julho, o primeiro disparo real do míssil CPS a partir do USS Zumwalt foi adiado de 2025 para 2027, o que empurra a obtenção da capacidade operacional plena do navio.

O órgão de fiscalização também concluiu que o esforço mais amplo da Marinha para equipar os três destróieres da classe Zumwalt com armas hipersônicas está, agora, cerca de dois anos atrasado. Essas derrapagens vão além do trabalho no navio-líder, refletindo dificuldades de produção, ensaios e integração ao longo de todo o programa CPS.

Entre os motivos que mais reduzem o ritmo, seguem os desafios de manufatura. O GAO constatou que as taxas de produção permanecem muito abaixo da meta de doze mísseis por ano, por causa de problemas de controle de qualidade e gargalos industriais mais amplos. O relatório ainda destacou fragilidades na preparação da mão de obra: com frequência, as instruções de fabricação são redigidas como documentação de engenharia, apesar de serem usadas por técnicos recém-contratados com pouca experiência em produção.

Separadamente do programa do míssil, a modernização do USS Zumwalt no estaleiro também encontrou seus próprios entraves técnicos. O trabalho começou em 2023 e acumulou aproximadamente dez meses de atraso, em grande parte porque os engenheiros precisaram executar o primeiro desligamento completo do Sistema Integrado de Energia do destróier desde a entrada do navio em serviço. A arquitetura elétrica altamente integrada alimenta tanto a propulsão quanto os avançados sistemas de combate da embarcação, tornando o processo bem mais complexo do que se previa.

Relatórios do governo indicam que a modernização em si já estava cerca de 94% concluída no começo deste ano, o que sugere que a incerteza restante do cronograma passa a ser determinada mais pelo desenvolvimento do míssil do que pela conversão do navio.

Expansão da capacidade na classe Zumwalt e em submarinos Virginia Block V

O USS Zumwalt é apenas o primeiro de sua classe a receber essa nova capacidade. O USS Michael Monsoor (DDG-1001) passará pelo mesmo pacote de modificações, enquanto os trabalhos já avançam a bordo do USS Lyndon B. Johnson (DDG-1002), cuja entrega está prevista, no momento, para abril de 2027. Além da frota de superfície, a Marinha pretende empregar o sistema de lançamento IRCPS em futuros submarinos da classe Virginia Block V, ampliando a capacidade de ataque hipersônico em múltiplas plataformas.

A arma é desenvolvida em conjunto com o Exército dos Estados Unidos. Enquanto a Marinha chama o sistema de Ataque Convencional de Resposta Imediata, o Exército emprega o mesmo míssil dentro do seu programa de Arma Hipersônica de Longo Alcance, conhecido popularmente como Águia Escura. As duas forças compartilham a mesma linha de produção do míssil, embora utilizem métodos de lançamento diferentes: a variante naval adota um lançamento por gás frio antes da ignição do motor, enquanto o lançador terrestre do Exército recorre a um lançamento convencional a quente.

Esse desenvolvimento compartilhado também trouxe desafios de coordenação. Segundo o GAO, as responsabilidades de aquisição e produção estão divididas entre os dois serviços, o que limita a capacidade da Marinha de conduzir o programa de forma independente e eleva o risco de ineficiências. O relatório alerta que será necessário um alinhamento mais estreito para maximizar o retorno de mais de US$50 bilhões investidos pela Marinha e pelo Exército no portfólio de armas hipersônicas dos Estados Unidos.

Por ora, o USS Zumwalt voltará à frota com os lançadores que definem sua missão futura - mas sem os mísseis hipersônicos que devem torná-lo uma das plataformas mais capazes da Marinha para ataques de longo alcance. Até que o programa CPS alcance maturidade operacional, a transformação do destróier seguirá apenas parcialmente concluída.

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